segunda-feira, 28, setembro , 2026 07:53

Escritor haitiano premiado na França é acusado de usar IA e diz ser vítima de racismo

Um humilde professor é obrigado a abandonar seu país natal, o Haiti, por causa da fome e da violência. Ele então se torna um imigrante, atravessando países como a República Dominicana, o Brasil e a “temida” América de Donald Trump.

Este é o enredo de C’était ça ou mourir (“Era isso ou morrer”, em tradução livre), do canadense-haitiano Thélyson Orélien, obra vencedora de cinco prêmios literários na França neste ano. O livro alçou o autor ao estrelato, mas o sucesso trouxe uma grave acusação: a de que o texto foi produzido inteiramente com inteligência artificial.

A denúncia partiu de um perfil em francês no X chamado Balance ton Claude — em português, “Entregue seu Claude”, numa referência a uma das ferramentas de IA mais utilizadas. A conta se dedica a identificar textos que, segundo seus responsáveis, foram produzidos com inteligência artificial sem que isso seja informado ao público. Foi nessa “malha fina” que a obra de Orélien caiu.

O autor negou veementemente as acusações. Segundo ele, a escrita é originária do dialeto haitiano, que talvez a IA desconheça. Thélyson Orélien ainda disse que não se interessa pela escrita por meio de máquinas e, para arrematar, acusou seus detratores de racismo.