quarta-feira, 30, setembro , 2026 07:43

Mortes: Contador de histórias, inventava um apelido para cada filho

Josué tinha por volta de 18 anos quando pediu a Deus que fosse pai de quatro homens. Queria formar um time de futsal em casa. Habilidoso, era considerado craque nas praças, campos e praia. Iria para o gol, afinal os filhos é que deveriam brilhar.

Josué Cunha Seixas Filho queria mesmo ser pai. E era bom ser filho dele, afinal para cada um dos quatro havia uma história para se contar. Como no dia em que Thiago, a quem chamava de Brancão, partiu a língua ou que, para não deixar Josué Felipe, o Bada, levar uma injeção quando estava doente, teve a paciência de dar o remédio gota por gota.

Dizia que Bruninho era o menino mais tranquilo que já tinha conhecido. E gostava de ouvir as histórias de Davi, o Piba, que era forte como o rei da Bíblia.

Nascido em Maceió (AL) em 29 de maio de 1958, Josué foi o primeiro da família a concluir a graduação. Pegava seis ônibus por dia para ir à Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Filho de alfaiate, considerava suas conquistas muito maiores do que poderia imaginar e nutria grande carinho pelos 24 anos em que trabalhou no Grupo Carlos Lyra.

Tinha uma mania de andar e chutar pedras. Contava que, quando mais novo, tinha de improvisar qualquer coisa para jogar futebol, e era bom nisso. Conhecido na rua, nas praças, na praia e nos campos, passou por clubes de bairro e até pela base do CSA. Torcia também para o Flamengo.

Josué escrevia cartas. Tinha uma letra característica, um garrancho perfeitamente legível e até meio exótico, mas igualmente bonito. Era afeito às declarações. Por conta disso, brincava que o consideravam um redator.

Em casa, gostava de se deitar após o almoço e ligar o som no volume mais alto para que todos ouvissem os hinos, especialmente os cantados por Shirley Carvalhaes. Criado na Assembleia de Deus, manteve a fé até o último dia.

Diagnosticado com câncer em 2020, ele passou por duas cirurgias, diversas quimioterapias e ainda assim continuou sorrindo. Por mais que estivesse desanimado, tinha uma força descomunal para tentar fazer com que todos os outros acreditassem que estava bem.

Morreu no dia 21 de agosto, aos 68 anos, tranquilo. Iria se encontrar com Deus e, por isso, estava em paz.

“Ele foi um homem muito corajoso. Teve uma fé inabalável de que ia ficar curado. Acreditou até o último minuto. Em cada quimioterapia, cada consulta, cada conversa, isso ficava muito claro. Foi alguém que amou intensamente, do jeito dele. Nem sempre soube lidar com os próprios sentimentos, mas viveu intensamente e deixou sua marca. No final, mostrou a maior força: a coragem de lutar e a fé de acreditar”, diz a primeira esposa, Iracilda.

Ele deixa a atual mulher, Daiza, os filhos Josué Felipe e Davi (da primeira esposa), e Thiago e Bruno, da segunda. Além das netas Helena e Beatriz, filhas de Thiago.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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noticia por : UOL