sexta-feira, 2, outubro , 2026 02:25

Ministra do TSE que proibiu Globo de exibir púlpito vazio já declarou voto em Lula

A ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha, que determinou que a TV Globo não mostrasse o púlpito que seria destinado a candidatos ausentes no debate presidencial desta quinta-feira (1°), já declarou voto no atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração teria ocorrido no pleito de 2022, quando Lula enfrentava no segundo turno Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, hoje principal adversário do presidente na disputa pela Presidência. A data da gravação não pôde ser confirmada.

“Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país”, diz Estela na gravação. “Então, os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça.”

O vídeo viralizou em canais e páginas associadas à direita após a Globo cancelar o debate desta quinta. A medida da emissora foi tomada após outra decisão, esta do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, autorizar a presença do candidato a presidente Renan Santos (Missão) no encontro, e após a desistência de Flávio.

Em publicação em rede social, Flávio escreveu que decidiu não ir ao debate “em função da censura imposta ao evento pelo TSE“.

Procurada pela Folha, Estela Aranha não quis comentar o vídeo. A ministra é formada em direito pela Universidade de São Paulo. De acordo com perfil publicado na página do TSE, ela é “referência nacional e internacional em direitos digitais, regulação de tecnologias emergentes e inteligência artificial”.

A ministra foi nomeada ao TSE pelo presidente Lula em julho de 2025. Ela ocupa uma das duas vagas destinadas à classe dos juristas e tem mandato de dois anos, iniciado em agosto do mesmo ano.

Antes de chegar à corte eleitoral, Aranha teve atuação no governo Lula. Ela foi secretária nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão de Flávio Dino, e também trabalhou na Presidência da República em temas relacionados à inteligência artificial e relações internacionais. Em 2025, atuou também como assessora da presidência do próprio TSE.

Segundo a coluna Painel, Dino foi um dos responsáveis por fazer lobby pela indicação da atual ministra à corte eleitoral. Ela integrou a lista tríplice feminina enviada pela então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, ao presidente Lula. Na época, Estela conseguiu ainda o apoio do presidente do PT, Edinho Silva.

Ao longo da carreira, Aranha presidiu a Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB e a comissão correspondente da OAB do Rio de Janeiro. Também integrou o Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre IA e participou de comissões de juristas do Senado que discutiram a regulamentação da tecnologia e a atualização do Código Civil.

noticia por : UOL