Teatro Estúdio consolida polo cultural nos Campos Elíseos com repertório forte

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Teatro Estúdio consolida polo cultural nos Campos Elíseos com repertório forte

Quem acompanha o teatro em São Paulo pelo retrovisor das grandes premiações costuma olhar sempre para as mesmas coordenadas: quando o guia O Melhor de São Paulo, da Folha, apontou os teatros Vivo e Anchieta como referências máximas de curadoria, referendou palcos históricos de sólida reputação.

Uma visita ao número 891 da rua Conselheiro Nébias, no entanto, mostra que vale a pena recalibrar a rota rumo aos Campos Elíseos. Ali, o Teatro Estúdio construiu uma linha artística arrojada o bastante para dialogar de igual para igual com qualquer medalhão da cidade.

O projeto comandado pelos atores e produtores Mariana Barioni e Alexandre Galindo subverte a cartilha dominante logo no calendário: funciona de segunda a domingo. A escolha defende que o centro não dorme nos dias úteis e que a cena cultural não precisa se fechar no intervalo entre quinta e domingo.

A trajetória do imóvel de 700 m² explica essa vocação. Antiga sede do estúdio criativo Gênese, o local começou em fevereiro de 2023 como centro de ensaios para grandes musicais, abrigando produções como “Priscilla – A Rainha do Deserto”, “Cantando na Chuva” e “Elvis: A Musical Revolution”. A virada para sala aberta ao público completou-se em 6 de julho de 2024, quando uma montagem de “Álbum de Família”, de Nelson Rodrigues, abriu a temporada oficial.

Naquela estreia, o diretor Jorge Farjalla cobriu o tablado de terra e lama, alinhando a plateia em corredor, rente ao elenco. Sem boca de cena fixa, fosso ou barreiras formais, o espaço de 242 m² e pé-direito de cinco metros coloca o espectador colado à respiração dos atores, além de oferecer isolamento acústico de ponta, estúdio para mesas de leitura e videocasts, camarins completos e café no foyer.

É nessa escala reduzida que a curadoria ganha ares de evento singular, evocando a tradição do circuito off-Broadway novaiorquino ao trocar a pompa corporativa pela intensidade dramática. Por ali passou a estreia brasileira de “Alice de Cor e Salteado”, transposição do texto musical de Duncan Sheik e Steven Sater ambientada por Gustavo Barchilon em um abrigo antiaéreo da Segunda Guerra Mundial.

Na mesma chave de pesquisa, abriu espaço para a criação autoral brasileira com “Epifania – Uma Fábula Moderna”, de Vitor Rocha e Marco França, em que um elenco de sete instrumentistas toca a partitura ao vivo no palco.

Para articular montagens tão distintas, a engrenagem roda em ritmo contínuo. As segundas e terças-feiras acolhem textos inéditos, experimentos cênicos e leituras públicas; as quartas e quintas priorizam solos e novos musicais; e os fins de semana concentram as temporadas principais e espetáculos de fôlego histórico, estendendo-se por textos de Jeferson Tenório (“O Avesso da Pele”) e adaptações literárias de Nastassja Martin (“Escute as Feras”) e Hermann Hesse (“Sidarta”).

Com frequência, uma leitura ocupa a sala às 18h30 e, após um rápido ajuste técnico, dá lugar a outro espetáculo às 20h, gerando sessões duplas também nas tardes de sábado e domingo.

Essa dinâmica não ignora as complexidades da vizinhança, fincada entre a Alameda Glete e a Rua Helvétia, nas bordas da Praça Princesa Isabel. Em vez de se isolar, o teatro concede 50% de desconto permanente a quem comprova residência nos Campos Elíseos e estrutura uma operação com manobrista na porta e rota iluminada ao longo dos 600 metros até o metrô Santa Cecília.

Ao lado de coletivos vizinhos, o Teatro Estúdio não só oxigena o centro, mas firma um repertório consistente que pede passagem entre os palcos mais relevantes da capital.

Peças em cartaz:

Acesso Texto e atuação de Daniela Tozzi, direção de Lavínia Pannunzio. Segunda e terça, 18h30

Amália Texto de Newton Moreno, com Lara Córdula e Marcos Azevedo, direção de Ivan Andrade. Segunda e terça, 20h.

Epifania – Uma Fábula Musical Texto e direção de Vitor Rocha, com Marco França, Laura Castro, Luiza Porto, Diego Rodda, Anna Toledo, Marília Lopes e Aline Cunha. Quarta e quinta, 20h.

Sidarta Texto Hermann Hesse, com Angel Ferreira. Sexta e sábado, 20h. Domingo, 17h.

Outra Revolução dos Bichos Com Gustavo Damasceno. Direção de Bruce Gomlevsky e dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho. Sábado e domingo, 20h.

O Nome do Tango Texto e atuação de José Rubens Chachá, direção de Maíra Chasseraux. Sábado e domingo, 19h.


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noticia por : UOL

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