quinta-feira, 30, abril , 2026 01:21

Com 7×1 no Senado, aumenta a chance de Lula deixar de concorrer

O verdadeiro 7×1 que o presidente Lula levou no Senado, sob o comando de Davi Alcolumbre, tem graves reflexos sobre os rumos do governo, do STF e da política nacional em ano de eleições. Nesse pacote, a candidatura do petista torna-se bem mais questionável do que já vinha sendo.

Não faz muito, ao dizer em entrevista ao site ICL que ainda havia margem para não se apresentar na disputa presidencial, Lula gerou especulações. Jornalistas com acesso aos bastidores do PT repercutiram a declaração e deixaram a sensação de que Haddad ainda seria uma alternativa.

O colunista Ricardo Kotscho, do UOL, amigo pessoal do presidente, considerou a hipótese possível e até mesmo desejável. E além de Haddad citou o vice Geraldo Alckmin como nome para enfrentar o bolsonarismo.

Lula acabou voltando atrás, mas a hipótese permaneceu no ar.

Seriam inúmeras as injunções e complicações a serem consideradas numa guinada de rumo dessa dimensão. No Brasil, contudo, mudanças radicais de roteiro fazem parte do espetáculo –e têm sido testadas com frequência histórica. Uma desistência embasada em problemas pessoais poderia ser planejada e a presença do presidente em exercício na campanha poderia pesar.

Sim, a rejeição de Jorge Messias e a prevista derrubada dos vetos à legislação que muda a dosimetria dos condenados por tentativa de golpe não inviabilizam, por si, a candidatura à reeleição. Ainda há tempo para buscar novos arranjos e tentar reverter o mal-estar. Não há, porém, como deixar de ver que o golpe está sendo muito duro num momento em que Lula já vinha enfrentando fortes ventos contrários.

Parece haver também um embate com ele mesmo, político forjado em outros tempos que chega a uma idade avançada e passa a provocar no eleitor a imagem de cansaço político, repetição de fórmulas, baixa probabilidade de um futuro com novidades.

Agrava esse quadro, detectado por pesquisas, a avaliação consensual de que a velha raposa errou redondamente no imbróglio Messias —independentemente de seus méritos pessoais. Não foi ele quem perdeu, mas seu demiurgo.

A barbeiragem de Lula com o timing e o perfil da escolha, com a desarticulação de seu governo e a dificuldade de perceber que a preamar estava chegando é o grande dano do episódio em termos de imagem pessoal.

Seria aquele gol não muito fácil de marcar, mas que antigamente poderia ser dado como feito. Desta vez, contudo, foi bisonhamente perdido. O sabor 7×1 voltou. A lenda sofreu um abalo.

Nada disso, repita-se, é certeza de derrota eleitoral. Ocorre que os prognósticos já não eram os mais otimistas antes da goleada e agora só pioram.

Será preciso aguardar quais serão as reações do governo aos desdobramentos da derrota imposta. Lula optou por inclinação à esquerda no coração político do Planalto, com Gleisi Hoffmann na articulação, e Guilherme Boulos na Secretaria de Governo —posições estratégicas. Não parece ter dado certo, ainda que não se possa culpá-los pelo espetáculo de erros e também de sordidez da baixa política.

O governo irá retaliar? O Congresso reagirá contra pautas eleitorais como o fim da jornada 6×1? A economia vai ajudar –ou, como parece, será motivo de novas preocupações? Lula vai desistir?

Com a palavra, o roteirista.


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noticia por : UOL