A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, a redução da jornada de trabalho no Brasil para 40 horas semanais. A medida, que extingue a escala 6×1, gera debates sobre impactos econômicos, espelhando experiências de países europeus que enfrentaram dificuldades ao adotar modelos similares.
Como foi a experiência da França com as 35 horas semanais?
A França reduziu a jornada de 39 para 35 horas em 2000 para combater o desemprego. No entanto, o setor empresarial criticou o aumento de custos e a perda de competitividade. Com o tempo, o governo não revogou a lei, mas criou várias brechas, facilitando o uso de horas extras e acordos diretos entre patrões e empregados para aumentar a carga horária na prática.
Por que Portugal aumentou a carga horária após ter reduzido?
Durante a crise financeira de 2011, Portugal precisou de ajuda internacional e, como condição, aumentou a jornada dos servidores públicos de 35 para 40 horas sem reajuste salarial. Foi uma tentativa de economizar e aumentar a produtividade. Somente em 2016, com a melhora da economia, o país voltou a permitir as 35 horas para o funcionalismo público.
Como a Alemanha lida com a jornada reduzida e a competitividade?
A Alemanha é famosa por ter jornadas curtas em setores industriais, chegando a 35 horas em fábricas metalúrgicas. Porém, para não perder espaço no mercado global, o país adotou modelos flexíveis. Isso significa que as empresas usam ‘bancos de horas’: os funcionários trabalham menos quando a demanda está baixa, mas a carga pode subir temporariamente quando há muito serviço.
O que os testes na Suécia revelaram sobre o custo da redução?
Na Suécia, experiências de seis horas diárias em hospitais trouxeram mais bem-estar e menos faltas por doença. O problema foi o bolso: para manter o serviço funcionando 24 horas com turnos menores, os municípios tiveram que contratar muito mais gente. Por causa desse alto custo para os cofres públicos, a ideia não virou uma lei nacional.
Qual é a situação da jornada de quatro dias no Reino Unido e Irlanda?
Esses países realizaram testes onde os funcionários trabalham menos sem corte no salário (modelo 100:80:100). Na Irlanda, quase todas as empresas participantes mantiveram o modelo por vontade própria após verem estabilidade na produtividade. Contudo, esses avanços continuam sendo escolhas de cada empresa e não se tornaram uma obrigatoriedade imposta por lei pelo governo.
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noticia por : Gazeta do Povo


