terça-feira, 18, agosto , 2026 08:18

Cúpula militar avisou STF sobre risco de ruptura e pediu ajuda, diz ex-FAB

O ex-chefe militar disse que havia naquele momento um perigoso “fogo cruzado institucional”. “Quem se pretende ser chamado de ‘excelência’ precisa tomar cuidado com isso —em todas [as instituições], eu não estou mandando recado, estou falando em tese porque vi esse fogo cruzado”, completou.

Baptista Júnior concedeu entrevista ao UOL nesta terça-feira (18) para anunciar a publicação, em setembro, do livro “Eu Disse Não! — Uma Trincheira Antigolpista”, escrito pelo próprio brigadeiro e editado pela Autêntica Editora.

O ex-chefe da Aeronáutica descreve no livro os bastidores do fim do governo Jair Bolsonaro (PL) e as pressões golpistas sofridas por ele e pelo comandante do Exército, general Freire Gomes.

Na entrevista, Baptista Junior disse que o processo da tentativa de golpe de Estado no Supremo foi influenciado por questões políticas. Rastros dessa influência estariam na velocidade da ação penal e na falta de informações sobre a origem das minutas de decreto golpistas.

“Ninguém perguntou ao general Paulo Sérgio quem deu aquilo [minuta do golpe] para ele. Nem o advogado de defesa dele, nem o Ministério Público, nem o ministro do STF. Ele foi julgado e ninguém sabe qual a origem daquele documento”, disse.

“Essas pessoas podem ser condenadas pelo 8 de janeiro? Eu não sei, não tenho entendimento jurídico suficiente para isso. Mas quando olho os grandes juristas brasileiros discutindo isso, eu acho que pode ter sido influenciado [por questões políticas]. Uma tentativa de golpe de Estado é coisa séria. Mas mesmo assim, num Estado Democrático de Direito, nós temos que cumprir todos os passos e ter certeza. Você pode não condenar uma pessoa que cometeu crime, mas condenar alguém que não cometeu é muito perigoso para a democracia.”

noticia por : UOL