segunda-feira, 12, outubro , 2026 09:51

Amyr Klink: “Não quero ser exemplo para ninguém”

Em 22 de agosto, Raphael Garcia atracou na Bahia Marina, em Salvador, depois de 136 dias remando sozinho desde Lüderitz, na Namíbia. No píer, ele era aguardado por Amyr Klink, que fez a mesma rota em 1984. Nas quatro décadas seguintes, Klink recebeu em seu escritório dezenas de jovens que queriam repetir a travessia O problema é que já chegavam com assessor de imprensa e editor de livros contratados, pensando nos louros antes mesmo do trabalho árduo.

Garcia, paulistano de 34 anos que morava na Nova Zelândia, não tinha patrocinador nem conta em rede social e pagou o barco com o próprio dinheiro. Para Klink, foi a confirmação de uma regra que ele aplicou às próprias filhas: primeiro se faz, depois se conta.

O próprio Garcia recusa o mérito da ideia. “É fácil eu ou outras pessoas refazerem essa viagem depois que alguém já deu a cara a tapa e mostrou que é possível”, disse à Gazeta do Povo. Ele achou Cem Dias entre Céu e Mar por acaso, num sebo de Foz do Iguaçu, em 2022, e levou quatro anos entre a leitura e a partida.

O livro, lançado em 1985, ganhou em julho uma edição revista pela Companhia das Letras. A travessia chega aos cinemas em 29 de outubro em 100 Dias, de Carlos Saldanha, com Filipe Bragança no papel do navegador. Aos 71 anos, Klink recebe a atenção com desconfiança: diz que não quer ser exemplo para ninguém e chama de bobagem a conversa sobre o filme no Oscar.