quarta-feira, 14, outubro , 2026 10:14

Índia prende líderes do 'Partido das Baratas' durante protestos contra o governo

Dois líderes do Partido Popular das Baratas (CJP, na sigla em inglês), movimento da geração Z na Índia, tiveram a prisão preventiva decretada por cinco dias nesta quarta-feira (14), em meio à repressão policial aos protestos contra a comissão eleitoral.

Ativistas do CJP e partidos de oposição ao governo desafiaram a repressão das forças de segurança para exigir a renúncia do chefe da comissão eleitoral da Índia, acusando o órgão de manipular os cadastros de eleitores para beneficiar o partido do primeiro-ministro Narendra Modi.

A comissão, responsável por supervisionar as eleições no país mais populoso do mundo, nega qualquer irregularidade.

A Polícia de Nova Déli informou que Ashutosh Ranka, 30, e Saurav Das, 27, foram detidos por suas “supostas tentativas reiteradas de perturbar a ordem pública e violar a lei”.

Ao fim do período de cinco dias, a detenção poderá ser prorrogada, eles poderão obter liberdade sob fiança ou ser soltos. Na terça-feira (13), os dois saltaram barricadas de segurança para agitar a bandeira nacional em Jantar Mantar, local de protestos há décadas cujo uso foi proibido pela polícia.

“As supostas tentativas de incitar outras pessoas, por meio das redes sociais, a participar de atividades ilegais semelhantes também foram levadas em consideração”, afirmou a polícia.

Jantar Mantar, no coração da capital, está isolado há dias por barricadas metálicas amarelas e vigiado por agentes de segurança. A polícia informou na segunda-feira (12) que havia retirado o local da lista de espaços autorizados para protestos.

O líder da oposição no Parlamento, Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, manifestou apoio aos líderes dos protestos. “Agitar a bandeira tricolor em Jantar Mantar durante um protesto pacífico não é crime”, afirmou em uma publicação nas redes sociais. “Prender jovens por isso é um ato de covardia.”

Houve manifestações menores na cidade na quarta-feira, e a polícia deteve manifestantes e os colocou à força em ônibus.

O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, convocou a população a se reunir na sexta-feira (16) em Connaught Place, perto de Jantar Mantar. “E aqueles que não puderem vir a Déli, façam uma marcha em suas próprias cidades e digam a essas pessoas que nossa bandeira é nosso orgulho e que agitá-la não é crime”, escreveu em redes sociais.

Anteriormente, ele havia afirmado que Ranka e Das “mostraram a todo o país que a única maneira de enfrentar um valentão como Modi é nunca se curvar, sejam quais forem as consequências”.

Defensores dos direitos humanos e críticos afirmam que o governo Modi enfraqueceu as liberdades democráticas ao longo de mais de uma década no poder, citando pressões sobre jornalistas, grupos da sociedade civil e adversários políticos —acusações rejeitadas pelo governo.

A organização Human Rights Watch afirmou na quarta-feira que o governo indiano deve garantir o direito dos cidadãos de protestar pacificamente. “O governo Modi deveria parar de jogar jovens manifestantes na prisão e, em vez disso, dialogar com eles para abordar as preocupações sobre o direito ao voto e a lisura das eleições”, afirmou a organização em comunicado.

A manifestante Atira, que informou apenas o primeiro nome, disse que foi levada a um centro de detenção e agredida pela polícia. “Eles me deram socos aqui”, disse, apontando para o rosto durante uma entrevista coletiva em Nova Déli, ao lado do líder da oposição. “Implorei para que parassem, mas então começaram a me chutar nas partes íntimas, na parte inferior do abdômen e nas costas. Não me trataram como um ser humano.”

A revisão das listas eleitorais, iniciada no ano passado, levou à exclusão de mais de 133 milhões de nomes dos cadastros de eleitores. As autoridades eleitorais dizem que a medida teve como objetivo eliminar registros fraudulentos, duplicados e de pessoas falecidas, mas críticos afirmam que o processo afetou de maneira desproporcional as minorias, sobretudo os muçulmanos.

Integrantes do Partido Bharatiya Janata, de Modi, afirmam que um grande número de imigrantes muçulmanos sem documentos, vindos do vizinho Bangladesh, foi incluído de forma fraudulenta nos cadastros eleitorais da Índia.

O ministro do Interior, Amit Shah, poderoso braço direito de Modi, minimizou os protestos, classificando-os como localizados, e acusou Rahul de seguir um “plano de ação para proteger infiltrados”.

“O povo da Índia não cairá no seu engodo”, afirmou, prevendo uma “maioria esmagadora” para o governo nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.

noticia por : UOL