sexta-feira, 16, outubro , 2026 06:02

Artistas que não declaram voto são pressionados a apoiar Lula

Ary Mirelle resolveu responder no último fim de semana a um internauta que cobrava do marido dela, o cantor João Gomes, uma declaração de voto no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ela contou que, desde a última eleição em que se manifestou, João toma antidepressivos fortes para conseguir se levantar e trabalhar, e que a família recebe ameaças envolvendo os dois filhos pequenos do casal.

O relato apareceu no meio de uma campanha que ganhou força depois que Flávio terminou o primeiro turno com mais de 2 milhões de votos à frente do presidente. Desde então, o silêncio de artistas virou sinal de cumplicidade, e a cobrança caiu com mais força sobre quem já tinha sido punido justamente por se manifestar.

O patrulhamento tomou forma quando o humorista e roteirista Vinicius Antunes, conhecido como Cacofonias, publicou montagens feitas com inteligência artificial em que celebridades aparecem impressas em caixas de leite, como nas campanhas de busca por pessoas desaparecidas. Além de João Gomes e Selton Mello, a lista incluía nomes como Gisele Bündchen e Vini Jr. No X, publicações do mesmo tipo acrescentaram outros alvos. Uma delas perguntava aos famosos se estavam a favor dos ricos ou ao lado dos pobres.

Na sexta-feira (9), o ator José de Abreu, apoiador declarado de Lula, publicou um vídeo em que cobrava nominalmente quatro colegas, entre eles Selton Mello e Carolina Dieckmann. Disse que eles não precisavam falar de eleição, de Lula ou do PT, e que bastava se posicionarem contra o que chamou de “fascismo”. No domingo (11), Dieckmann postou no Instagram uma imagem com a palavra “democracia” e uma estrela em referência ao PT. Abreu comentou embaixo: “Bom dia. Benvinda! [sic]”.