Pet supera filho como símbolo de sucesso entre jovens brasileiros

Casa própria e emprego estável ainda estão no topo da lista do que o brasileiro considera uma vida bem-sucedida. Já casamento e filhos, nem tanto. Mas, entre os jovens, há um item à frente das crianças como símbolo de sucesso: os pets.
É o que mostra a pesquisa Life Aspirations 2026, da Ipsos, uma das maiores empresas do mundo de estudos de mercado e opinião pública. O levantamento realizado pela multinacional francesa ouviu mais de 22 mil pessoas em 30 países — incluindo mil brasileiros — para entender o que elas consideram uma vida bem-sucedida.
O estudo mapeou o que a Ipsos chama de “paradoxo da geração Z”: os jovens não abandonaram as aspirações tradicionais de família e propriedade, porém enfrentam barreiras econômicas que adiam a vida adulta.
Os participantes podiam apontar várias conquistas como importantes, sem precisar escolher uma só. Nesse caso, o objetivo era identificar o que associam à realização pessoal, e não o que desejam ter.
No Brasil, casa própria (67%) e emprego estável (66%) lideram a lista. Ter filhos aparece bem atrás, com apenas 23% das menções. É nessa comparação que os animais de estimação chamam a atenção, principalmente entre os mais jovens.
Vantagem dos bichos
Entre os brasileiros da geração Z, que nasceram entre 1996 e 2012, os pets recebem 24% das menções como símbolo de sucesso, contra 19% dos filhos. E não são apenas os mais jovens. Entre os millennials, nascidos de 1980 a 1995, a vantagem dos bichos é ainda maior: 29% contra 18%.
A diferença entre as gerações, no entanto, está mais no peso dos pets do que no dos filhos — a associação entre ser pai ou mãe e uma vida bem-sucedida é quase igual nos dois grupos.
Quando todas as idades entram na conta, os filhos ainda aparecem numericamente à frente dos bichos no Brasil. Mas por uma margem apertada, de 23% a 21%.
O casamento aparece com 25% das menções, pouco acima dos animais de estimação e dos filhos. Já a casa própria é citada por 67% (mais que o dobro).
Ou seja: na ideia de sucesso dos brasileiros, pesa mais ter um imóvel no próprio nome do que uma família para morar nele.
Eles não desistiram
Homens e mulheres também dão pesos diferentes a essas conquistas. No Brasil, eles associam casar e ter filhos ao sucesso com mais frequência do que elas.
No quesito casamento, o percentual entre os homens é oito pontos percentuais maior que entre as mulheres. Quando o assunto é ter filhos, a diferença é de sete pontos.
Para a Ipsos, as dificuldades econômicas ajudam a explicar a distância entre os planos dos jovens e a confiança de realizá-los. Entre os brasileiros da geração Z que ainda não alcançaram essas conquistas, 56% ficariam tristes se nunca tivessem um emprego estável e 54%, se jamais comprassem a casa própria.
Mas os resultados, na avaliação da empresa, não significam que os jovens tenham simplesmente desistido de construir uma família ou conquistar o próprio teto.
“A Geração Z não está rejeitando o modelo tradicional de vida adulta. Ela está apenas menos convencida de que terá as mesmas condições que seus pais tiveram para alcançá-lo”, afirma Lucymara Andrade, diretora de pesquisas da Ipsos no país.
Retrato global
Nos 30 países pesquisados, emprego estável (65%) e casa própria (58%) também lideram a lista do que significa uma vida bem-sucedida.
Ter filhos aparece com 31% das menções, oito pontos percentuais acima do Brasil. Casar recebe 25% e ter pets, 16%. No quadro geral, os bichos ainda ficam bem atrás de casamento e filhos.
A pesquisa também perguntou o que as pessoas já viveram ou esperam viver. Entre os jovens da geração Z de 12 países ocidentais, 58% já tiveram ou esperam ter um pet na vida adulta.
Já os que têm ou acreditam que terão filhos somam 44%. Para esse grupo, portanto, um animal de estimação em casa parece mais provável do que a chegada de uma criança.
noticia por : Gazeta do Povo






