Dois candidatos com o mesmo nome: por que a disputa pelo Senado no Alasca irritou Trump


Republicanos tentam se descolar de Trump antes das ‘midterms’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está irritado por causa da eleição no Alasca. Isso porque dois candidatos com o mesmo nome concorrem à mesma vaga no Senado americano. Um deles é republicano, e o presidente teme que ele seja prejudicado.
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A coincidência, que já havia sido notícia, ganhou uma nova repercussão nesta semana. Uma investigação do jornal The New York Times revelou que integrantes da campanha da democrata Mary Peltola teriam trabalhado para recrutar pessoas com o mesmo nome do senador republicano.
De acordo com a reportagem, a estratégia democrata seria confundir eleitores e tirar votos do adversário republicano. Com isso, dois nomes iguais foram para as urnas: o do senador republicano Dan Sullivan, que tenta a reeleição, e o do professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr.
O caso levou o Departamento de Justiça a abrir uma investigação. Na quinta-feira (29), o governo protocolou uma ação judicial para tentar impedir a certificação do resultado eleitoral caso o senador republicano perca por uma margem apertada.
Segundo a agência Reuters, o Departamento de Justiça também emitiu mais de 40 intimações e pedidos de documentos durante a investigação.
A disputa dos dois Dan Sullivan
O senador Dan S. Sullivan (esquerda) e candidato Dan J. Sullivan (direita) disputam as primárias no Alasca
Mark Thiessen e Becky Bohrer/AP
A estratégia para recrutar candidatos com nomes semelhantes ao do senador republicano teria começado em meados de 2025, segundo investigação publicada pelo New York Times na quarta-feira (28).
De acordo com o jornal, integrantes da equipe de Mary Peltola receberam orientações para encontrar pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca e convencê-las a entrar na disputa pelo Senado.
A reportagem foi baseada em entrevistas, mensagens de texto e documentos preparados para uma possível ação judicial contra a campanha democrata.
A iniciativa teria envolvido integrantes da campanha de Peltola, advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC, na sigla em inglês), responsável pela estratégia do partido nas disputas pela Casa.
O grupo também teria considerado a criação de um novo partido político para atrair eleitores conservadores e fragmentar o apoio ao senador republicano.
A ex-gerente de campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, afirmou ao New York Times que a democrata tinha conhecimento da iniciativa.
O DSCC negou envolvimento e acusou os republicanos de também apoiarem candidaturas de adversários em outras disputas eleitorais.
A campanha de Peltola também negou participação na candidatura dos dois Sullivan.
Nas primárias realizadas em agosto, Peltola terminou em primeiro lugar, com 49,5% dos votos. O senador Dan S. Sullivan ficou em segundo, com 41,4%. Já Daniel J. Sullivan Jr. recebeu 2,5%, o equivalente a 4.107 votos.
Pelas regras eleitorais do Alasca, os quatro candidatos mais votados nas primárias avançam para a eleição geral. Por isso, os dois Sullivan estão na cédula de votação para a mesma vaga no Senado.
O candidato Daniel J. Sullivan Jr. é um professor aposentado que vive em uma pequena comunidade pesqueira do estado. Em entrevistas a veículos americanos, ele negou que tenha entrado na disputa para confundir eleitores ou tirar votos do senador republicano.
Por que Trump entrou no caso
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em foto de 30 de outubro de 2026
AFP/Alex Wroblewski
Trump já pressionava o Departamento de Justiça a agir sobre a disputa antes mesmo da publicação da reportagem do NYT. O presidente defendia uma ação para impedir que o Alasca certificasse uma eventual vitória de Mary Peltola.
Depois da divulgação da investigação, Trump voltou a acusar os democratas de tentar manipular a eleição. Na quinta-feira, ele afirmou a jornalistas que era difícil acreditar que Peltola pudesse sequer disputar o cargo e classificou a situação como injusta.
Advogados do Departamento de Justiça afirmaram que os operadores democratas organizaram uma candidatura falsa com o objetivo de enganar eleitores e favorecer Peltola.
O governador do Alasca, Mike Dunleavy, também pediu uma investigação estadual sobre as acusações.
Em entrevista à emissora NewsNation, afirmou que uma eventual constatação de ilegalidade poderia afetar até mesmo a posse de um senador eleito.
A interpretação de que a estratégia configura uma ilegalidade, porém, é contestada por especialistas.
Jessica Levinson, professora de direito eleitoral da Faculdade de Direito Loyola, em Los Angeles, afirmou à Reuters que, desde que Daniel J. Sullivan Jr. não tenha ocultado financiamento de campanha, a candidatura provavelmente não violou nenhuma lei.
Segundo ela, partidos políticos podem adotar estratégias para confundir o público. Uma investigação do governo sobre os motivos que levam candidatos a disputar eleições poderia abrir espaço para uma interferência excessiva nas escolhas eleitorais.
“Se as pessoas se sentem desconfortáveis com dois candidatos Sullivan, provavelmente também deveriam se sentir desconfortáveis com um nível muito alto de interferência do governo nas nossas eleições”, afirmou a professora.
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Fonte: G1




