Reeleito para um novo mandato de quatro anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê a expansão da malha ferroviária dentro dos investimentos estratégicos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
É o que aponta seu plano de governo entregue à Justiça Eleitoral, com 84 páginas. Nele, o presidente prevê a destinação de aportes em todos os modais de transporte (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), com foco, no caso dos trilhos, em trens urbanos. Ele não cita especificamente o transporte ferroviário de passageiros em longa distância.
Aliás, a maior parte dos planos de governo que os candidatos que disputaram a Presidência da República neste ano protocolaram no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ignora a possibilidade de o país ampliar a disponibilidade de trens interestaduais de passageiros.
Hoje, só há dois trens em funcionamento regular no país: o da EFVM (Estrada de Ferro Vitória a Minas) e o da EFC (Estrada de Ferro Carajás), ambos operados pela Vale e por obrigação contratual. O primeiro liga Cariacica (ES) a Belo Horizonte, enquanto o segundo vai de São Luís a Parauapebas (PA).
O plano de Lula busca combinar o setor público com a tração do setor privado. A diretriz é acelerar o ritmo de concessões ferroviárias por meio de leilões de novos projetos de infraestrutura e a repactuação dos contratos já existentes.
“A mobilidade urbana é um dos maiores desafios para tornar as médias e grandes cidades espaços mais inclusivos. O tempo perdido em deslocamentos, a precariedade do transporte coletivo, o elevado custo das tarifas e a saturação dos sistemas de transporte reduzem a qualidade de vida da população e comprometem a produtividade da economia […] Além disso, finalizamos estudos e focaremos em investimentos na integração das regiões metropolitanas e das médias cidades do país”, diz trecho do plano do petista.
Dados do governo federal apontam que projetos em andamento e previstos resultarão em 233 quilômetros de trilhos para metrôs, trens urbanos e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos).
O país tem atualmente 20 projetos em execução ligados à rede metroferroviária, distribuídos em nove regiões metropolitanas e previstos para os próximos dois anos, segundo dados da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), que congrega as empresas ligadas às operações de trens urbanos, metrôs, monotrilho e VLTs no país.
Esses 20 projetos totalizam 138,7 quilômetros de extensão, num país que tem somente 1.144,7 quilômetros de linhas férreas em regiões metropolitanas. No ano passado, o Brasil ganhou só 7,2 quilômetros de trilhos.
Com plano equivalente em relação ao número de páginas, 76, Flávio Bolsonaro (PL), que avançou ao segundo turno, mas foi derrotado no último domingo (25), fez três menções a ferrovias em seu plano.
Sem detalhar o montante para cada modal de transporte, afirmava que seriam investidos R$ 900 bilhões em todos os sistemas e que seriam criados corredores logísticos com o objetivo de reduzir o custo e desenvolver o escoamento do Centro-Oeste até os portos.
Afirmava ainda que ia destravar a Ferrogrão, adotar o trem de cargas ligando Mato Grosso, o oeste do Paraná e Santa Catarina e implantar o Trem do Nordeste, “uma malha de passageiros ligando capitais da região, para aproximar cidades, movimentar o turismo e integrar o Nordeste”. Nesse último caso, dizia que 1.400 quilômetros de trilhos interligariam Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza.
Entre os candidatos que não avançaram ao segundo turno, não havia citações específicas sobre o transporte ferroviário de passageiros em trens de longa distância.
Quem mais falou sobre ferrovias de maneira geral foram Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), quarto e quinto colocados, respectivamente.
Renan propunha, em seu plano de 51 páginas, expandir a malha ferroviária, hoje de cerca de 30 mil quilômetros, para pelo menos 40 mil quilômetros, e comparava com a malha existente nos Estados Unidos e na China (250 mil quilômetros e 160 mil, respectivamente).
Propunha ainda a mobilização do capital privado por concessões, PPPs, obras da Ferrovia Alcântara-Açailândia e da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), além de iniciar as obras da Ferrogrão e viabilizar a Ferrovia Transoceânica.
Já Caiado, num plano de cem páginas, citava ferrovias dez vezes e, entre as propostas, estavam a priorização de obras estruturantes de escoamento, como a Ferrogrão, a Ferrovia Norte-Sul e a Fiol, e a coordenação de ferrovias turísticas para incentivar a economia.
Augusto Cury (Avante), terceiro colocado, citou ferrovias em três oportunidades em seu plano de 200 páginas, uma delas num tópico sobre corredores estratégicos de exportação para o país.
Segundo sua proposta, seriam criados cinco corredores em estados como Ceará, Bahia, Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, articulados a portos, aeroportos, ferrovias e centros de armazenagem.



