Presidente do Paraguai renuncia: entenda crise econômica no país

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Presidente do Paraguai renuncia: entenda crise econômica no país

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 5 de novembro, diante da crise bancária na qual o país passa esta semana.

O contexto de crise se instaurou após a intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank que passou por liquidação. Esse processo é realizado quando uma instituição financeira apresenta problemas graves para continuar no mercado.

Ao todo, o Ueno tinha cerca de 2,9 milhões de correntistas, o que representa 60% da população adulta do país. Essas pessoas tiveram seus depositos congelados.

A população paraguaia foi para as ruas em protestos que cobram que os responsáveis sejam punidos. O Ministério Público do Paraguai solicitou a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do banco Ueno, Juan Manuel Gustale.

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Crise política e econômica no Paraguai

Segundo a professora de Geografia Paloma Guitarrara, o Paraguai vinha de um período de crescimento econômico. Nos últimos anos, o país vizinho do Brasil chegou a crescer quase 6% ao ano. Internamente, o país passou por queda de desemprego, melhora no crédito e maior atração de investimento.

Para a educadora, ninguém previa que a economia “iria desmoronar da noite para o dia como aconteceu”.

Ela explica que a situação da liquidação do Ueno impactou de forma intensa o país por justamente atingir boa parte da população. Havia uma dependência forte e única da instituição, o que agravou o cenário de crise. Além disso, o banco era o principal emissor de cartão de crédito entre os paraguaios.

Com as contas bloqueadas, as pessoas não conseguem sacar o dinheiro, o que provocou tumulto e aglomerações nas agências pelo país.

Assunção, capital do Paraguai
Assunção, capital do Paraguai.

Crédito:  Corey1970 / Shutterstock.

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Relação de Santiago Peña com Ueno Bank

Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou ao cargo hoje (5), foi acionista no Ueno Bank até março de 2025, pelo Grupo Vázques, que controla o banco.

Penã foi eleito em 2023 e faz parte de uma ala da política de direita conservadadora do Partido Colorado que controla o poder no Paraguai há décadas.

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Crise no Paraguai e relações entre economia, território e poder político na América Latina

Paloma destaca que a partir desta crise no Paraguai, é possível entender como ocorrem algumas relações territoriais, políticas e econômicas na América Latina, especialmente, com a linha tênue que se tem entre esfera política, pública e privada.

A professora destaca a forte influência do mercado financeiro sobre as decisões do Estado paraguaio. Ao recorrer ao conceito de “Mercado”, do geógrafo Milton Santos, ela explica que instituições financeiras privadas podem interferir diretamente nos assuntos estatais.

Na visão de Paloma, o caso do Paraguai enaltece uma relação de codependência entre o setor privado e o poder público. Ela aponta que o Ueno Bank passou a exercer influência sobre assuntos de Estado, enquanto o governo de Santiago Peña teria atendido a interesses da instituição.

Peña fazia parte do quadro de acionistas do banco enquanto ocupava a Presidência, o que evidencia, em sua análise, a aproximação entre interesses privados e decisões governamentais.

Por lá, o Estado auxiliou a atuação do banco no território. Com a crise, a população, que é muito dependende do banco, é prejudicada economicamente. A especialista reforça que pela situação inédita no país, não é possível prever de que forma haverá um aprofundamento das desigualdades socioeconômicas no Paraguai.

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noticia por : UOL

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