Quem é a mexicana que promete mudar a comunicação do Vaticano

A estreia de Maria Montserrat Alvarado, nova prefeita vaticana do Dicastério para a Comunicação, despertou um coro unânime de elogios. Poliglota, desinibida, irônica: foi assim que a jornalista mexicana se apresentou na coletiva organizada na Sala de Imprensa para apresentar a viagem à América Latina. Impossível não notar a diferença em relação ao tom cinzento a que todos estavam acostumados sob a gestão de seu antecessor, Paolo Ruffini.
Em seu batismo de fogo na Sala de Imprensa, Montserrat Alvarado recebeu sorrisos e parabéns até mesmo daqueles que, até ontem, ostracizavam a “sua” EWTN. Em 2021, a rede fundada pela Madre Angélica foi atacada abertamente por Francisco: “Há uma grande televisão católica que fala mal do Papa continuamente, sem problemas”, disse ele, atribuindo a responsabilidade disso à “obra do diabo”. Na época, a nova prefeita era apresentadora do EWTN News In Depth, programa de grande sucesso que, em 2023, a levou à presidência do grupo.
No mundo da comunicação que orbita o Vaticano, muitos interpretaram aquelas palavras papais como uma espécie de fatwa contra a EWTN. Uma televisão conservadora demais, destoante demais do programa do pontificado. Os números, por outro lado, premiaram a linha da emissora e a gestão executiva de sua presidente. Leão XIV, atento à essência das coisas, chamou pessoalmente Montserrat Alvarado para liderar a gigantesca estrutura criada sob medida por Bergoglio para Dom Dario Viganò em 2015.
A nomeação deve ter sido um verdadeiro golpe no coração para uma quantidade considerável de profissionais que, mesmo com uma audiência nitidamente menor, haviam se acostumado a tratar a EWTN com desdém. Montserrat Alvarado apresentou-se com grande profissionalismo também a eles, mas deixou claro que não se esqueceu e, com uma piada — referindo-se justamente a como as coisas funcionavam no passado na Sala de Imprensa —, disse que os americanos não precisarão mais pedir “desculpas”.
Em 2018, para exaltar a nomeação de Ruffini, que meses depois se tornaria seu superior direto, Andrea Tornielli escreveu no La Stampa sobre “uma escolha significativa, distante anos-luz daquela mentalidade funcionalista que às vezes contagia até a Igreja, fazendo-a perseguir os modelos das grandes corporações”. Quem sabe se, ao escrever essas palavras, ele não estivesse pensando justamente em um grande grupo como a EWTN.
De alvo fácil para invectivas, o modelo da rede americana torna-se hoje um exemplo a ser emulado para colocar nos eixos a situação dos meios de comunicação do Vaticano. A comunicação custa muito à Santa Sé, mas produz resultados que o próprio Francisco considerava insatisfatórios. No balanço consolidado publicado pela Secretaria para a Economia referente a 2023, 44,8 milhões de euros foram destinados ao setor de comunicação — um valor nitidamente superior aos reservados à caridade e ao patrimônio histórico. Não é de surpreender que o Papa, que é matemático e estuda pessoalmente o cenário econômico, pretenda partir justamente desses dados.
A nova prefeita, como admitiu na entrevista a Colm Flynn na EWTN, sabe que terá de lidar com o que chamou de ritmo “devagar” do Vaticano, mas nestes últimos meses já não perdeu tempo. Diversas fontes relatam que, durante o período de transição, Montserrat Alvarado examinou minuciosamente os dossiês, especialmente os relativos aos custos da estrutura. Uma análise aprofundada que lhe permitiu identificar as primeiras urgências sobre as quais intervir.
Na entrevista à sua antiga emissora, a jornalista falou abertamente sobre sua relação com a fé, explicando que, para ela, “não é um acessório ou um trabalho; é a própria identidade de quem sou”. “Mesmo quando o Senhor lhe pede coisas que você não havia planejado ou que a assustam no plano humano, a fé lhe dá a certeza de que Ele nunca a deixa sozinha e que a Sua graça é suficiente”, declarou ao comentar o chamado do papa.
É significativo que sua primeira aparição pública em Roma tenha sido no concerto de 22 de outubro dedicado a São João Paulo II no Auditório da Via della Conciliazione. A prefeita demonstrou um entusiasmo genuíno ao conhecer e se sentar ao lado do cardeal Stanisław Dziwisz, testemunha viva do pontificado de João Paulo II. Quem esteve presente pôde ouvir de sua própria voz a profunda devoção pela figura do santo polonês. Isso por si só já representa um sinal de ruptura com o passado recente: embora o pontificado de João Paulo II tenha sido o mais midiático da história, nos anos de Francisco a comunicação vaticana tratou esse legado como uma bagagem incômoda, a ser colocada de lado e quase escondida. Agora se vira a página. A quem lhe desejou boa sorte no novo cargo, Montserrat Alvarado respondeu pedindo orações.
No exercício de suas funções, mais do que nos antecessores Ruffini e Viganò, é provável que ela busque inspiração em Joaquín Navarro-Valls — embora ele fosse “apenas” o diretor da Sala de Imprensa em uma época em que ainda não existia o superdicastério que centralizou todas as competências sobre a mídia.
© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Alvarado all’esordio, la comunicazione vaticana volta pagina.
noticia por : Gazeta do Povo





