A ONG francesa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) acaba de divulgar mais uma edição do relatório anual que mede a liberdade de imprensa no mundo.
Desta vez, surpreendentemente, o desempenho do Brasil melhorou. Para chegar a essa conclusão, o relatório ignorou os abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) e focou no fato de que Jair Bolsonaro já não é presidente — o que, segundo o levantamento, é algo positivo.
O Brasil agora aparece na 52ª colocação entre 180 países, com 66,37 pontos em uma escala na qual 100 significa liberdade total de imprensa. Em relação ao ano passado, o país subiu 11 posições e ganhou 3,43 pontos.
O levantamento mostra o Brasil à frente da Itália (65,16 pontos), do Japão (62,90) e dos Estados Unidos (62,61).
Segundo o relatório, que nem mesmo menciona o Supremo Tribunal Federal, a melhora do Brasil tem no presidente Lula um dos principais responsáveis.
“O novo governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva restabeleceu relações normais entre a mídia e os órgãos do Estado após o mandato de Jair Bolsonaro como presidente, que foi marcado por constante hostilidade em relação à mídia”, diz o documento.
O estudo aponta ainda para a “retórica agressiva” de Bolsonaro e o efeito nocivo da “desinformação” no debate público.
Resultado geral
No âmbito global, a tendência é negativa: a RSF viu uma piora na liberdade de imprensa em 100 dos 180 países analisados.
Os dez primeiros colocados são, a partir da maior nota: Noruega, Países Baixos, Estônia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Irlanda, Suíça, Luxemburgo e Portugal.
No outro extremo, em ordem decrescente de nota, estão Azerbaijão, Rússia, Turcomenistão, Vietnã, Afeganistão, Arábia Saudita, Irã, China, Coreia do Norte e Eritreia.
Afinidade com a esquerda
Embora se apresente como uma defensora da atividade jornalística de forma geral, sem preferências ideológicas, a Repórteres Sem Fronteiras passou nos últimos anos a privilegiar países sob governos progressistas.
Em 2008, com a chegada de Christophe Deloire ao comando da entidade, o Repórteres Sem Fronteiras estreitou os laços com fundações de esquerda, como a Open Society Foundations. A ONG não só se calou sobre os abusos cometidos pelo Supremo como elogiou a proposta de regulação das redes sociais. Em julho do ano passado, o diretor da organização, Thibaut Bruttin, encontrou-se com o ministro Luís Roberto Barroso, então presidente do STF, e falou a favor da iniciativa.
O método
O viés do estudo da Repórteres Sem Fronteiras talvez também tenha a ver com o método usado no levantamento: a Repórteres Sem Fronteiras produz o relatório de cada país com base na opinião de entrevistados locais — que não são identificados.
Segundo a RSF, a pontuação resulta de entrevistas com “especialistas em liberdade de expressão”, incluindo jornalistas, pesquisadores, e defensores dos direitos humanos.
Embora haja poucos estudos sobre a posição ideológica dos jornalistas brasileiros, alguns levantamentos sugerem um claro alinhamento à esquerda. Um levantamento feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) concluiu que 80,7% dos jornalistas brasileiros são de centro-esquerda, esquerda ou extrema esquerda. No lado oposto, apenas 4% dos entrevistados marcaram uma das três categorias no lado direito do espectro.
Isso explicaria, por exemplo, a súbita melhora do Brasil durante o governo Lula e, no exterior, as notas baixas da Itália e dos Estados Unidos, ambos governados por líderes conservadores.
noticia por : Gazeta do Povo


