quarta-feira, 6, maio , 2026 01:45

segundo ataque russo a bomba danifica igreja


Um ataque aéreo atingiu, na sexta-feira, 25 de abril, o prédio da Igreja Pentecostal da Transfiguração do Senhor, no leste da Ucrânia, marcando a segunda vez que o local é danificado desde o início do conflito na região. O edifício já havia sido alvo em 2014, ano em que dois filhos do pastor foram sequestrados, torturados e mortos durante um culto.

De acordo com relatos, uma bomba guiada, possivelmente do modelo KAB-500S-E, explodiu nas proximidades da igreja por volta das 6h, causando o colapso de parte do telhado, além da destruição de portas e janelas. Não houve registro de feridos. O impacto também danificou áreas internas do prédio.

Mikhail Pavenko informou que a explosão ocorreu muito próxima ao templo e provocou danos estruturais significativos: “A explosão foi tão poderosa que dobrou uma grande parte do telhado e estourou todas as janelas e portas”, disse ele ao Christian Daily International.

Ele acrescentou: “Era uma daquelas bombas planadoras que podem ser lançadas a dezenas de quilômetros de distância. Ela caiu bem perto da igreja, e a onda de choque e os estilhaços causaram bastante estrago”.

Segundo familiares, o pastor Alexander Pavenko lidera a igreja atingida. No mesmo dia do ataque, cerca de 170 fiéis estiveram no local para remover escombros e preparar um culto realizado no domingo seguinte.

O episódio ocorre em meio a outros ataques registrados contra templos religiosos. Na cidade de Zaporíjia, um ataque recente a uma igreja batista deixou mortos e feridos durante uma reunião de oração.

A família Pavenko já havia sido diretamente afetada pela violência em 2014. Em 8 de junho daquele ano, Ruvim e Albert Pavenko foram sequestrados por integrantes do grupo conhecido como Exército Ortodoxo Russo durante um culto. Relatos indicam que ambos foram torturados e mortos, com os corpos encontrados em uma vala comum ao lado dos diáconos Viktor Brodarsky e Volodymyr Velychko.

Em fevereiro de 2023, outro filho do pastor, Yaroslav Pavenko, morreu após ser atingido por artilharia enquanto atuava como capelão junto à 26ª Brigada de Artilharia ucraniana. Ele deixou esposa e uma filha.

Mikhail Pavenko afirmou que ataques a igrejas têm ocorrido com frequência em áreas próximas à linha de frente, como Sloviansk e Kramatorsk. “Meus tios são pastores em grandes igrejas. Se os russos se aproximarem, eles precisam ir embora para sua própria segurança. Mas eles estão dizendo: ‘Estaremos com nosso povo até o fim’”, declarou.

Ele também afirmou que líderes religiosos protestantes estariam entre os alvos prioritários em áreas ocupadas. “Eu sei que eles têm uma lista de ministros. Uma das primeiras coisas que fazem quando entram numa cidade é perseguir os protestantes”, disse.

Segundo o capelão, dados reunidos desde 2022 indicam que mais de 800 locais de culto foram atingidos e mais de 80 líderes religiosos morreram no contexto da guerra. Ele relatou ainda que, antes de 2014, a região de Luhansk contava com cerca de 150 igrejas protestantes, número que teria sido reduzido a zero em 2024 nas áreas sob ocupação.

Relatos também apontam impactos sociais mais amplos, incluindo deslocamento de fiéis, destruição de comunidades religiosas e efeitos psicológicos em civis, especialmente crianças expostas a alertas constantes de ataques aéreos.

O produtor Colby Barrett, responsável pelo documentário A Faith Under Siege, esteve no local antes do bombardeio recente e acompanha a situação. Ele afirmou que está coordenando uma campanha para arrecadar cerca de US$ 500 mil destinados à reconstrução do prédio.

Barrett classificou o ataque como parte de um aumento nos registros de danos a igrejas no país. “Não é uma igreja grande, mas teve 170 pessoas participando do culto no domingo”, disse. Ele acrescentou que, mesmo após o ataque, os fiéis continuam se reunindo no local, realizando reparos e mantendo as atividades religiosas.

Nos Estados Unidos, parlamentares apresentaram o projeto denominado “Lei da Guerra da Rússia contra a Fé”, que propõe sanções a autoridades envolvidas em ações contra comunidades religiosas. A proposta prevê a elaboração de relatórios oficiais sobre violações à liberdade religiosa em territórios afetados pelo conflito.

O deputado Joe Wilson afirmou em comunicado: “A Rússia persegue e mata pessoas de fé como política oficial em todos os lugares que invade. […] É crucial que combatamos a guerra da Rússia contra a fé”.





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