sexta-feira, 29, maio , 2026 02:58

radicais islâmicos matam cristãos e atacam igrejas


Novos ataques atribuídos a militantes islâmicos no norte de Moçambique deixaram ao menos nove mortos e provocaram a destruição de igrejas e residências na província de Cabo Delgado, segundo organizações religiosas e grupos humanitários que acompanham o conflito na região.

A nova onda de violência ocorreu no distrito de Ancuabe, área que vem sendo alvo frequente de ações armadas desde o início da insurgência islamista no país. Segundo a Barnabas Aid, cinco cristãos foram mortos na aldeia de Namecala em um ataque realizado no dia 9 de maio por militantes ligados ao Estado Islâmico Moçambique, também conhecido como EI-M.

A entidade informou que os invasores incendiaram uma igreja e mais de 160 casas durante o ataque. A Barnabas Aid também relatou que dois cristãos foram capturados e decapitados nas proximidades de Namecala em 8 de maio, enquanto outro fiel foi morto perto da aldeia de Nanoni no dia anterior. Outras comunidades do distrito também registraram ataques com destruição de casas e templos.

A escalada da violência ocorre em meio ao avanço da insurgência islâmica em Cabo Delgado, província que se tornou o epicentro do conflito desde 2017. Em mensagens de propaganda recentes, militantes teriam classificado cristãos que se recusam a aderir ao extremismo como “combatentes”, expressão que, segundo observadores do conflito, indica ameaça direta contra civis cristãos.

No início de maio, militantes também atacaram a histórica Igreja de São Luís de Montfort, localizada na vila de Meza. Segundo o Vatican News, o ataque destruiu o templo, uma residência missionária e um jardim de infância administrado pela Igreja Católica.

O bispo António Juliasse Ferreira Sandramo descreveu o cenário como “uma cena de verdadeiro terror” e afirmou que igrejas e capelas da região sofrem ataques constantes há quase nove anos.

A insurgência começou em outubro de 2017, quando grupos armados atacaram delegacias em Mocímboa da Praia. O movimento passou a ser conhecido localmente como al-Shabaab, embora não tenha ligação com o grupo somali de mesmo nome. Posteriormente, os militantes declararam lealdade ao Estado Islâmico e passaram a atuar sob a denominação Estado Islâmico Moçambique.

Desde então, milhares de pessoas morreram e centenas de milhares foram deslocadas. Os ataques incluem decapitações, sequestros, destruição de aldeias, igrejas, escolas e prédios públicos.

Segundo grupos de direitos humanos e especialistas em segurança, fatores como pobreza, desemprego juvenil, fragilidade estatal e disputas em torno das riquezas minerais e do gás natural contribuíram para o avanço da insurgência em Cabo Delgado.

Entre 2020 e 2021, os militantes chegaram a ocupar cidades estratégicas, incluindo Palma, próxima a projetos internacionais de gás natural. A ofensiva levou empresas estrangeiras a suspender operações e provocou uma resposta militar regional com tropas de Ruanda e de países da África Austral, de acordo com informações do portal Christian Daily.

Apesar da retomada de várias cidades pelas forças de segurança, os ataques continuam em áreas rurais. A Portas Abertas afirma que comunidades cristãs têm sido alvo recorrente de incêndios, assassinatos e destruição de igrejas.

Agências humanitárias estimam que o conflito já deslocou mais de 1 milhão de pessoas em quase nove anos. Líderes religiosos locais seguem pedindo apoio internacional e assistência humanitária às populações afetadas.

“Pedimos atenção e solidariedade”, declarou o bispo Sandramo após o ataque à igreja de Meza. “A fé dessas pessoas jamais será destruída”.





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