O papa Leão XIV afirmou na segunda-feira, 8 de junho, que os abusos sexuais cometidos por membros do clero representam uma grave crise para a Igreja Católica e pediu uma resposta baseada em “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas.
Durante encontro com bispos da Espanha, o pontífice declarou que uma das experiências mais dolorosas para a Igreja é encontrar pessoas feridas justamente por aqueles que deveriam protegê-las. Segundo ele, as vítimas devem encontrar acolhimento, proteção e caminhos concretos para a recuperação. O papa também defendeu o fortalecimento de medidas preventivas e de uma cultura voltada à proteção de crianças e pessoas vulneráveis.
A declaração foi considerada uma das manifestações mais diretas de Leão XIV sobre os casos de abusos envolvendo religiosos na Espanha. O Vaticano informou que o pontífice se reuniria de forma reservada com vítimas durante a visita ao país.
A decisão de manter o encontro em caráter privado gerou críticas de grupos de defesa das vítimas, que afirmaram não ter sido incluídos nas reuniões. Manifestantes realizaram protestos em frente à Nunciatura Apostólica em Madri e pediram maior transparência, além de medidas como assistência psicológica contínua, compensações financeiras e apoio educacional e profissional para os afetados.
O debate ganhou força após a divulgação de um relatório do Defensor do Povo da Espanha, publicado em 2023, que estimou que mais de 200 mil menores possam ter sofrido abusos sexuais cometidos por integrantes do clero católico desde 1940. Em março deste ano, o governo espanhol e a Igreja Católica firmaram um acordo para indenizar vítimas desses crimes.
Em outro momento de sua visita, Leão XIV abordou desafios globais e afirmou que o mundo atravessa uma “profunda crise espiritual e cultural”, marcada pelo aumento da violência, da polarização e da desconfiança entre as pessoas.
A questão migratória também esteve entre os principais temas de seu discurso. O papa defendeu uma resposta internacional baseada em acolhimento, proteção e integração dos migrantes, argumentando que nenhum país consegue enfrentar sozinho os desafios do fenômeno migratório. Ele também pediu esforços para combater fatores que impulsionam deslocamentos em massa, como guerras, pobreza e instabilidade social.
Leão XIV ainda reafirmou a posição tradicional da Igreja Católica sobre a defesa da vida desde a concepção até a morte natural. A declaração ocorre enquanto setores políticos da Espanha discutem mudanças relacionadas à legislação sobre o aborto.
A agenda do pontífice inclui uma visita a Barcelona, onde deverá abençoar uma das torres da Sagrada Família. A viagem será encerrada nas Ilhas Canárias, com um encontro programado com migrantes que chegaram ao arquipélago após travessias marítimas vindas da África Ocidental.


