terça-feira, 4, agosto , 2026 07:54

Netanyahu diz que não recuará até Hamas se desarmar, e Qatar acusa Tel Aviv de atrasar paz

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, rejeitou nesta terça-feira (4) o recente acordo com o Hamas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que Israel não recuará de suas posições em Gaza até que o grupo terrorista esteja totalmente desarmado.

O americano havia anunciado na semana passada que o Conselho da Paz, grupo criado por ele para negociar um acordo definitivo ao fim do conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, havia chegado a um acordo para desarmamento da facção palestina.

As novas declarações de Netanyahu, no entanto, suscitam novas dúvidas sobre o avanço anunciado por Trump. O acordo previa que o Hamas iniciasse o desarmamento e que Israel suspendesse os ataques e começasse a retirar-se dos cerca de 60% do território de Gaza que controla atualmente.

Autoridades do Hamas, sob condição de anonimato, confirmaram na semana passada à agência de notícias AFP que o acordo havia sido concluído. Eles disseram que apenas o comitê tecnocrático que governará Gaza teria autoridade para contabilizar e apreender as armas do grupo. O Hamas aceitou o desarmamento, condicionando-o à saída das forças do Estado judeu de Gaza.

Nesta terça, porém, Netanyahu reiterou sua posição de que o desarmamento deve ocorrer primeiro, antes de qualquer remoção de tropas. Ele afirmou que as forças israelenses continuarão a “fazer o que for necessário para proteger a si mesmas, nosso território e nossos cidadãos”.

O premiê afirmou que o governo Trump “enviou uma minuta” a seu gabinete. “Nós não concordamos. Não é a nossa minuta. Enviamos nossos comentários… Essa é a nossa posição”, disse o israelense em um vídeo publicado nas redes sociais.

Em meio ao impasse, o Qatar, país mediador no conflito, acusou o governo Netanyahu de atrasar a aplicação do plano de paz para a Faixa de Gaza. “A intensificação dos bombardeios israelenses nos últimos dias”, sobre Gaza, “não passa de uma tentativa de descarrilar a aplicação do plano e de bloquear as soluções pacíficas para o conflito”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari, Majed Al Ansari.

O Conselho de Paz de Trump, encarregado de implementar a segunda fase do plano de paz em Gaza, assegurou a Netanyahu que o Exército de Israel não se retiraria do território palestino até o desarmamento total do Hamas. O texto vincula o desarmamento da facção a uma retirada progressiva das tropas israelenses de Gaza.

O colegiado afirmou no X que “a retirada das Forças de Defesa de Israel além da linha amarela não ocorrerá até que o desarmamento esteja completo, como o Hamas se comprometeu com os mediadores”, em referência à linha de demarcação entre a área ocupada pelos israelenses, que abrange mais de 60% de Gaza, e o restante do território. Em uma primeira versão, posteriormente corrigida, mencionava-se uma “retirada total” das forças.

Ministros israelenses de extrema direita exigiram uma votação do governo para anular o acordo, afirmando que ele não refletia o que havia sido discutido inicialmente.

Na segunda, Qatar, Egito e Turquia, todos mediadores da trégua, também emitiram um comunicado criticando Israel, depois que novos bombardeios no território palestino mataram cerca de 20 pessoas.

Em declaração conjunta, o trio condenou “as violações contínuas” de Israel em Gaza, “em particular o ataque a centros e infraestruturas de saúde e as vítimas entre a população civil, incluindo mulheres e crianças”. Essa situação representa “uma violação flagrante do direito internacional e do direito internacional humanitário”, acrescentou o texto.

noticia por : UOL