segunda-feira, 15, junho , 2026 03:54

pregador é obrigado a encerrar reuniões online de oração


Um pregador cristão da província de Yunnan, no sudoeste da China, recebeu uma advertência das autoridades locais após organizar estudos bíblicos e reuniões de oração por meio da plataforma Zoom.

Na quarta-feira, 3 de junho, sete representantes do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos, acompanhados por outros agentes do governo local, estiveram na residência de Chang Hao para entregar uma notificação exigindo a interrupção das atividades online.

Segundo as autoridades, os encontros promovidos pelo pregador violariam os Regulamentos da China sobre Assuntos Religiosos por incluírem ensino da doutrina cristã e organização de reuniões de oração sem autorização.

De acordo com a organização cristã ChinaAid, o documento entregue a Chang determinava o encerramento imediato das atividades e alertava para a possibilidade de sanções administrativas ou abertura de investigação criminal em caso de descumprimento.

Durante a visita, os agentes apresentaram capturas de tela de uma das reuniões realizadas pelo pregador. O encontro fazia parte da iniciativa denominada “17h na China – Reunião de Oração do Reino”, uma rede que reúne cristãos de diferentes regiões do país para orações diárias em favor de pessoas presas ou detidas por questões relacionadas à fé.

Chang informou que cinco viaturas chegaram à sua residência durante a operação. Segundo ele, tanto os agentes quanto o próprio pregador registraram a abordagem por meio de fotos e vídeos.

No dia seguinte à visita, a conta de Chang na plataforma WeChat foi restringida. Em resposta à medida, ele contestou a decisão das autoridades.

“Fé não é um crime. Minha fé não viola a Constituição da República Popular da China ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo contrário, quaisquer disposições que entrem em conflito com a Constituição e o direito internacional são leis injustas, e os cidadãos têm o direito de se recusar a cumpri-las”, declarou.

Conhecido por defender a liberdade religiosa e os direitos de grupos considerados vulneráveis, Chang já enfrentou investigações e outras medidas das autoridades chinesas em razão de sua atuação pública. Ele também possui deficiência física e psicológica.

Em abril de 2023, o pregador foi detido após publicar comentários na internet sobre liberdade religiosa e temas de interesse público. Posteriormente, foi condenado a um ano e dois meses de prisão.

Segundo relatos divulgados por organizações de defesa da liberdade religiosa, seu estado de saúde apresentou piora durante o período de encarceramento. Após deixar a prisão, em junho de 2024, Chang retomou atividades evangelísticas presenciais e online.

A ChinaAid afirmou que a recente notificação relacionada às reuniões realizadas pelo Zoom indica que as autoridades continuam acompanhando as atividades do pregador.

O caso tem sido monitorado por organizações cristãs e grupos de direitos humanos dentro e fora da China. Essas entidades manifestaram preocupação com a possibilidade de novas restrições ou medidas legais contra Chang Hao e outros participantes da rede de oração.





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